Salário atrai. Mas é no dia a dia que o colaborador decide se fica. E poucas coisas fazem tanto parte do dia a dia quanto o almoço. Pesquisas recentes no Brasil mostram que a alimentação ocupa dois dos três benefícios mais valorizados pelo trabalhador, e que o modelo mais comum, o vale, já não dá conta do mês.
benefícios mais valorizados pelos trabalhadores CLT são ligados à alimentação. Comer bem é prioridade para quem trabalha.
úteis por mês: é o que o vale-refeição médio pagou de almoço em 2025. Em 2019, eram 18.
dos trabalhadores precisam completar o vale-refeição com dinheiro do próprio bolso.
Benefício que o time sente
Na pesquisa de benefícios da Robert Half, 57% dos profissionais empregados dizem que, se uma nova proposta de trabalho não trouxer os benefícios que consideram importantes, negociam um salário maior. Só 3% ignoram os benefícios na hora de decidir [1]. Ou seja: benefício entra na conta da remuneração. A empresa que não oferece paga a diferença em salário. A que oferece bem sai na frente na hora de contratar.
Uma pesquisa nacional com 1.203 trabalhadores CLT mediu o outro lado, o de quem já está dentro. Trabalhadores com pacote completo de benefícios (alimentação, refeição e saúde) avaliam a empresa onde trabalham com eNPS de +44. Quem não recebe benefício nenhum, +2 [3]. É a diferença entre um time que indica a empresa para os amigos e um time indiferente, justamente quando a empresa mais precisa de indicação para contratar.
O vale já não fecha o mês
O vale-refeição virou o formato padrão do benefício de alimentação no Brasil [1]. E é justamente aí que está o problema: ele perdeu fôlego. Em 2025, o valor médio pago pelas empresas, de R$ 649 por mês, cobriu só 10 dias úteis de almoço. Em 2019, cobria 18. Em Santa Catarina e no Paraná, a média ficou em 11 dias [2]. E a conta segue piorando: no primeiro semestre de 2026, caiu para 9 dias [4].
O motivo: comer fora de casa encareceu mais rápido que a média dos preços. Em 2025, a alimentação fora do domicílio subiu 6,97%, bem acima da inflação geral de 4,26% [5]. Na região, a pesquisa mais recente de preços da ABBT encontrou a refeição completa a R$ 43,88 em Blumenau, R$ 49,19 em Joinville e R$ 62,54 em Florianópolis, a capital mais cara do país para almoçar [6].
Quem paga a diferença é o colaborador: 44% completam o vale-refeição com o próprio bolso, e 62% dizem que o vale-alimentação não cobre o mês inteiro [3]. Quando o dinheiro acaba, o almoço vira lanche, marmita improvisada ou o prato mais barato. E o benefício que deveria ser lembrado como cuidado vira lembrete de aperto.
Não é só percepção
A Organização Internacional do Trabalho estudou a alimentação no trabalho em diversos países e concluiu que ela costuma ser tratada como detalhe pelos empregadores, quando na verdade é uma oportunidade perdida de aumentar a produtividade e o moral das equipes. Pelas contas do estudo, a alimentação inadequada no trabalho pode custar até 20% de produtividade [7].
O mesmo estudo aponta o que costuma dar errado: refeitórios, quando existem, com opções pouco saudáveis e sem variedade, máquinas de lanche cheias de opções pouco saudáveis e trabalhadores que, às vezes, não têm tempo, lugar ou dinheiro para comer direito [7]. São exatamente os três problemas que um almoço servido na empresa resolve de uma vez.
Quanto custa perder alguém
Rotatividade é o custo que mais pesa e menos aparece na planilha. O Gallup estima que substituir um colaborador custa de metade a duas vezes o salário anual dele [8]. Entram na conta o desligamento, o recrutamento, o treinamento e os meses até o novo contratado render como o anterior. E 52% de quem pede demissão diz que a empresa poderia ter feito algo para evitar a saída [8].
No Brasil, a disputa por gente segue aquecida: foram 7,8 milhões de pedidos de demissão entre janeiro e outubro de 2025, 7% a mais que no mesmo período de 2024 [9]. Nesse cenário, o almoço não resolve tudo sozinho, mas é um dos poucos benefícios que o colaborador usa todos os dias. E o que se usa todo dia pesa na decisão de ficar.
O que isso significa para a sua empresa
O vale é dinheiro, e dinheiro perde valor. A refeição servida na empresa é diferente: o benefício chega pronto, no prato, todos os dias, com preço de pacote empresa. É um cuidado que o time vê, sem que o RH vire central de pedidos.
dos 188 trabalhadores de Pomerode ouvidos pela Pratô acreditam que produziriam mais se comessem melhor.
5 perguntas para avaliar o benefício de alimentação da sua empresa
Antes de pensar em trocar ou ampliar o benefício, vale fazer um diagnóstico rápido. Dá para responder tudo em uma reunião com o RH:
- Quantos dias do mês o benefício realmente cobre? Divida o valor mensal pelo preço de um almoço completo perto da empresa. Se a conta der menos que os dias trabalhados, o colaborador está completando do bolso.
- O time come comida de verdade ou lanche? Quando o dinheiro aperta, o almoço vira salgado, marmita improvisada ou prato mais barato. Isso aparece à tarde, na energia e na atenção.
- O benefício é o mesmo para todo mundo, todos os dias? Um benefício que funciona na primeira quinzena e some na segunda não é percebido como cuidado.
- Quanto tempo o RH gasta operando o almoço? Pedidos, trocas, reclamações e controle de consumo custam horas que poderiam ir para gente.
- O time vê o cuidado da empresa? Almoço servido no refeitório, com o time junto, é um lembrete diário de que a empresa se importa. Um crédito no cartão passa despercebido com muito mais facilidade.
Por onde começar
Oferecer almoço servido não exige cozinha própria nem um novo custo fixo pesado. No modelo da Pratô, a empresa contrata no CNPJ, o refeitório é implantado sem grande investimento inicial e a comida chega feita no dia, com cardápio que roda 60 dias sem repetir. Se fizer sentido para a empresa, o valor pode ser descontado em folha com autorização do colaborador. E, para empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), a refeição fornecida não entra no salário de contribuição [10]. Explicamos o passo a passo em Desconto de refeição em folha: como funciona na prática (e na lei).
Mais de 700 mil refeições servidas desde 2018 nos ensinaram uma coisa simples: empresa que alimenta bem, segura gente boa. Pessoas Melhoram, Empresas Crescem.
As pesquisas citadas medem valorização e percepção dos trabalhadores. Elas mostram que a alimentação importa, mas nenhum benefício, sozinho, garante retenção: o resultado depende da qualidade e da constância do que é servido. Este artigo tem caráter informativo e não substitui orientação contábil ou jurídica.
Fontes
- Robert Half. Pesquisa de Benefícios 2024, 5ª edição. Pesquisas com profissionais e com 500 empresas, maio a julho de 2024. roberthalf.com
- Pluxee. "Vale-refeição seguiu cobrindo apenas 10 dias úteis por mês em 2025". Janeiro de 2026. pluxee.com.br
- Pluxee. Retrato do Trabalhador Formal 2026. Pesquisa com 1.203 profissionais CLT, fevereiro de 2026. pluxee.com.br
- CNN Brasil. "Vale-refeição cobre 9 dias do mês e pressiona poder de compra, diz Pluxee". Julho de 2026. cnnbrasil.com.br
- IBGE. IPCA, acumulado de 2025: alimentação fora do domicílio e índice geral. SIDRA, tabela 7060. sidra.ibge.gov.br
- ABBT. Pesquisa de preço médio da refeição completa, 2024 (4.502 estabelecimentos em 51 cidades). Via NSC Total, agosto de 2024. nsctotal.com.br
- Wanjek, C. Food at Work: Workplace Solutions for Malnutrition, Obesity and Chronic Diseases. OIT, Genebra, 2005. ilo.org
- McFeely, S.; Wigert, B. "This Fixable Problem Costs U.S. Businesses $1 Trillion". Gallup, março de 2019. gallup.com
- FGV IBRE. Mercado de Trabalho em Pauta, dezembro de 2025 (dados do Novo Caged até outubro de 2025). ibre.fgv.br
- Brasil. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 (Programa de Alimentação do Trabalhador), art. 3º. planalto.gov.br


